Royal Mail perde 400 trabalhadores postais por semana, diz sindicato
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Pontos principais
- O Royal Mail perde cerca de 400 trabalhadores postais por semana com o novo sistema DM26.
- O sindicato CWU denuncia que o novo modelo falhou em centenas de escritórios e gera atrasos.
- Os funcionários relatam um aumento drástico na carga de trabalho e temem um Natal caótico.
- A empresa defende as reformas como fundamentais para a sustentabilidade financeira.
O Sindicato dos Trabalhadores da Comunicação (CWU) levantou sérias preocupações sobre a estabilidade do serviço postal britânico, revelando que o Royal Mail está atualmente a perder cerca de 400 trabalhadores postais por semana. De acordo com a estrutura sindical, esta taxa de saída aumentou visivelmente desde que a empresa implementou, no início deste ano, um novo sistema de entrega denominado DM26, concebido para reorganizar rotas e melhorar o desempenho operacional.
Antes da implementação destas mudanças, a empresa sofria uma perda média de cerca de 330 funcionários postais por semana, a partir de uma força de trabalho total de aproximadamente 83.000 pessoas. O plano DM26 foi introduzido como parte de uma estratégia mais ampla para garantir um serviço mais eficiente e financeiramente sustentável. Sob o novo modelo, o correio de segunda classe passou a ser entregue apenas em dias alternados da semana, enquanto o correio de primeira classe e as encomendas devem ser entregues diariamente através da organização de trabalhadores em grupos de três e da alteração de rotas.
Apesar destes objetivos de otimização, o CWU afirma que o sistema não está a funcionar eficazmente em centenas de centros de distribuição em todo o Reino Unido. Vários trabalhadores postais, que falaram sob anonimato, descreveram um ambiente de trabalho extremamente difícil, alertando para um período natalício problemático devido ao aumento do volume de encomendas. Os funcionários apontam que muito tempo é perdido na triagem e separação de correspondência, gerando atrasos maciços.
Em várias regiões, os carteiros indicaram que as cartas ordinárias acumulam-se durante semanas, enquanto tentam lidar com o fluxo constante de pacotes. Um funcionário de West Midlands relatou que não conseguiu levar nenhuma carta de primeira classe no seu último turno, devido ao atraso acumulado na sua rota. Além disso, um registo efetuado por vários carteiros mostrou que a contagem diária de passos aumentou até um terço após a transição, ultrapassando frequentemente os 25.000 passos por dia.
Em resposta às críticas, um porta-voz do Royal Mail sublinhou que a empresa trabalha continuamente para garantir que todo o correio, incluindo cartas e encomendas, seja entregue no prazo previsto. A administração considera estas reformas de eficiência como uma adaptação indispensável às realidades do mercado moderno, onde o comércio eletrónico domina. Contudo, a fuga contínua de talentos e o aumento das exigências físicas continuam a alimentar a tensão laboral.
A demissão de funcionários experientes, como o veterano Bryn Dymott, evidencia o custo humano destas transformações estruturais. Após nove anos de serviço, Dymott abandonou a empresa por não conseguir enfrentar outra época natalícia caótica sem o apoio logístico adequado. Enquanto o sindicato exige revisões urgentes, aumenta a pressão sobre a liderança do Royal Mail para estabilizar a rede antes do pico de procura no final do ano.
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